| Pronunciamentos
em plenário 
SESSÃO
DE 15/10/2008
O SR. DONATO (PT) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, telespectadores da TV Câmara São Paulo, gostaria de debater com a intervenção do nobre Vereador Natalini.
É evidente que temos de levar em conta as pesquisas. Dizer que o Governo Kassab tem hoje 61% de aprovação, segundo o Datafolha, explica pouco. Há três meses tinha 33% e no dia de amanhã não saberemos. Da mesma forma que o Presidente Lula tem 70% de aprovação e nem por isso o PSDB e o DEM deixam de fazer uma oposição dura ao Governo Lula. Talvez o nobre Vereador Natalini gostaria que fosse mais dura ainda, mas a realidade é que está difícil de fazer oposição ao Presidente Lula.
Diziam que o Presidente Lula tinha sorte; que o Fernando Henrique teve a crise do México, da Rússia, que atrapalharam o Governo. Hoje, temos a crise dos Estados Unidos, das hipotecas americanas, esse verdadeiro “Tsunami” financeiro que abala o mundo, mas pouco abalou a economia brasileira. Pode ser que ainda abale a economia central do mundo, mas os fundamentos da economia brasileira estão muito sólidos com o Presidente Lula.
Gostaria de falar um pouco que nós, políticos, parlamentares, representantes da população, não podemos nos mover por pesquisas, mas por convicções. Não sei qual será o resultado da eleição daqui a dez dias. Na semana passada, o Datafolha disse que o Kassab tinha 17 pontos de vantagem; hoje o Ibope diz que tem 12, caíram 5 pontos. Amanhã pode cair mais ou não, o resultado da eleição é imprevisível.
O que temos de falar é baseado em convicções. Acho que o Dia dos Professores é um bom momento. Tivemos um grande debate em dezembro de 2001 sobre as verbas da Educação. A Prefeita Marta propôs uma alteração na Lei Orgânica que elevava de 30 para 31% das receitas próprias do Município destinadas à Educação, 25% de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases, 6% para um conceito novo de educação inclusiva, com os CEUs, material escolar, Vai-e-Volta, Renda Mínima, que foram importantes para que as crianças tivessem condições para ir à escola.
Tivemos posição radical do PSDB, da Oposição da época, que ganhou a Prefeitura, o Serra e o Kassab ganharam as eleições. Mudaram a lei? Não. Aquilo que falaram dos CEUs, deixaram de falar, assimilaram. Falavam do material escolar gratuito, diziam que era assistencialismo. Quantos discursos ouvimos em relação a isso? Diziam que deveria estar em outra verba. Mandaram algum projeto para mudar a lei? Não, em nenhum momento. Então, para exercer a atividade política, temos de ter convicções, porque são elas que darão o norte da nossa atuação.
Este é apenas um exemplo da incapacidade do Governo Kassab-Serra de apresentar novos marcos para a cidade. Aquilo que falaram como oposição, renegaram na prática do seu governo. Tiveram de continuar as realizações da Prefeita Marta Suplicy.
Isso foi ruim para a cidade? Não, mas não fizeram tão bem. Temos uma cópia malfeita dos CEUs, a diminuição do programa Vai-e-Volta, nobre Vereador Wadih Mutran. No Governo Marta, esse programa atendia 104 mil crianças; hoje, 72 mil.
O Prefeito Kassab, ao afirmar que ampliou o Atende, mentiu. Quem fez isso foi a Prefeita Marta, que aumentou de 120 para 273 vans em abril de 2003. O Prefeito Kassab fez um acordo com o Ministério Público para ampliar em mais 100 novas vans, mas até hoje isso não ocorreu. E S. Exa. mente.
O que questionamos hoje é a mentira. Por isso, teremos de mostrar qual é o verdadeiro Kassab – e a propaganda da Prefeita está correta ao tentar fazer isso - : o que mente na propaganda eleitoral ou o que governa? E, muitas vezes, governa em contradição com o que fala no horário eleitoral.
Esse é o debate que temos de fazer no segundo turno, pois irá esclarecer a população da nossa cidade. E isso não ofende ninguém. Quem está na vida pública tem de se despir de qualquer vaidade, apresentar-se publicamente. Em todos os aspectos. Se alguém foi atacada na sua vida pessoal foi a Prefeita Marta. E contra o PT vale tudo – ataques à vida pessoal da sua candidata, Marta Suplicy; ataques à vida pessoal do Presidente Lula. Mas em relação ao Kassab, não se pode nem perguntar. O senhor se ofende se perguntarem se é casado e tem filhos? Eu, não.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
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